Compras como fonte de inovação: o que a área entrega além do saving

A área de compras responde por duas entregas ao mesmo tempo: controlar o custo e abrir acesso ao que a empresa ainda não tem.

Segundo o Gartner, mais de 70% dos profissionais de sourcing e procurement recorrem a fornecedores para acessar serviços de tecnologia novos ou soluções fora do modelo de negócio central da própria organização.

O dado localiza a origem da inovação em compras: o fornecedor traz a tecnologia que a empresa não desenvolve internamente.

O mesmo levantamento do Gartner aponta que 72% dos líderes de sourcing e procurement planejam gerar valor a partir da otimização do custo total de propriedade, não apenas do preço de compra.

A conta muda de escopo. Preço continua no cálculo, ao lado de qualidade, prazo, risco de fornecimento e capacidade do fornecedor de contribuir com tecnologia e novas soluções.

 

Fornecedor como fonte de tecnologia e de novos modelos de negócio

O comprador acompanha o mercado de fornecimento em contato direto e diário com a base.

Essa posição coloca o procurement no ponto de entrada das novidades: um fornecedor testa um material, um provedor lança um serviço, uma startup resolve um problema de processo.

A área de compras identifica essas soluções antes que a demanda formal chegue.

O comprador precisa aplicar critério na seleção. Fornecedores menores e mais recentes trazem condições e soluções que não aparecem na base tradicional.

Descartar esse grupo por porte ou tempo de mercado retira da empresa o acesso a boa parte da inovação disponível.

Uma rede conectada de compradores e fornecedores amplia esse alcance e revela alternativas para categorias críticas antes que a falta de fornecimento vire urgência.

 

Relacionamento gera mais inovação que negociação isolada

Inovação de fornecedor não aparece por acaso. O Gartner mostra que comitês diretivos e eventos de inovação com fornecedores levam os compradores que lideram esses programas a gerar 59% e 39% mais inovação, respectivamente, quando a empresa aplica as duas práticas de forma consistente.

A empresa precisa reservar espaço na agenda de gestão de fornecedores para uma pergunta que a negociação de preço não faz: o que este fornecedor sabe fazer que a empresa ainda não usa.

A empresa chega a essa resposta quando segmenta fornecedores por potencial de contribuição e acompanha metas de coinovação por indicador.

 

Tecnologia libera o tempo que a inovação exige

O comprador ocupado com cotações manuais, aprovações em e-mail e conferência de faturas não tem tempo para mapear o mercado de fornecimento.

A automação dos processos de compras devolve esse tempo. Fluxos parametrizados, cotações disparadas por regra e registro automático de cada etapa reduzem as horas em trabalho transacional.

Uma solução de e-Procurement sustenta a operação, e a camada de inteligência artificial em compras analisa o desempenho da base, sinaliza risco de fornecimento e sugere alternativas de sourcing.

O comprador recebe o cenário pronto para avaliação e usa o tempo recuperado onde a decisão humana pesa: escolher parceiros, negociar cocriação, avaliar o encaixe de uma nova tecnologia no negócio.

 

Como medir a contribuição de compras para a inovação

O indicador de saving isolado não captura essa entrega. Uma gestão de compras orientada por dados acompanha também:

  • número de soluções trazidas por fornecedores e adotadas pela empresa;
  • receita ou economia gerada por projetos de coinovação com a base;
  • custo total de propriedade das categorias críticas, além do preço unitário;
  • tempo entre a identificação de um novo fornecedor e a primeira compra;
  • participação de compras em projetos de outras áreas do negócio.

Os indicadores acima tornam visível o que o comprador entrega além da redução de despesa. Sem essa medição, a contribuição existe e não aparece no reporte para a diretoria.

 

Compras no centro da vantagem competitiva

Uma cadeia de suprimentos bem gerida sustenta crescimento por dois caminhos ao mesmo tempo: reduz o custo total e conecta a empresa a capacidades que ainda não existem dentro de casa.

O comprador que domina o mercado de fornecimento, mantém relações estruturadas com parceiros e opera sobre dados confiáveis tem informação que nenhuma outra área da empresa reúne.

A construção desse papel começa por uma operação organizada. Processos padronizados, dados confiáveis e fornecedores segmentados formam a condição para que compras dediquem tempo à inovação, e não apenas à execução do pedido.

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Até a próxima! 😉

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