O “E” do ESG: como a área de compras contribui para as metas ambientais

As metas ambientais deixaram de ser ações pontuais e passaram a fazer parte das prioridades das empresas.

Hoje, elas influenciam decisões estratégicas, investimentos e a forma como as organizações se relacionam com o mercado.

Com regras mais rígidas, maior cobrança de investidores e riscos ambientais cada vez mais visíveis, as empresas passaram a olhar com mais atenção para o impacto de suas operações.

Ao estabelecer critérios e selecionar fornecedores, o setor influencia diretamente temas, como emissões, consumo de recursos naturais, geração de resíduos e eficiência energética.

A área deixa de apenas apoiar a agenda ambiental e passa a contribuir de forma prática para a redução de impactos e para a construção de cadeias de suprimentos mais sustentáveis.

 

O papel de compras nas metas ambientais

Grande parte do impacto ambiental das empresas não está dentro da operação, mas ao longo da cadeia de suprimentos. É nesse ponto que a área de compras faz a diferença.

As decisões sobre quais fornecedores contratar, quais materiais comprar, como organizar a logística e como estruturar os contratos influenciam o impacto ambiental do negócio.

De acordo com a Gartner, a maior parte das emissões das empresas está ligada à cadeia de fornecimento, o que reforça o papel de compras no avanço das metas ambientais.

Por isso, critérios ambientais não podem ser tratados como exigências pontuais, mas precisam fazer parte dos processos de cotação, negociação, homologação e gestão de fornecedores.

 

Critérios ambientais integrados às decisões de compras

A contribuição de compras para o “E” do ESG acontece quando questões ambientais entram de vez nas decisões do dia a dia.

Avaliar fornecedores apenas por preço e prazo já não é suficiente para atender às necessidades atuais do negócio.

Aspectos diversos, como emissões, uso de matérias-primas, consumo de água, geração de resíduos e conformidade ambiental precisam ser analisados de forma consistente.

Quando essas informações passam a fazer parte da decisão, compras reduz riscos, dá mais segurança às escolhas e contribui para metas ambientais claras e mensuráveis.

 

Dados e tecnologia viabilizando a agenda ambiental

O avanço do ESG em compras depende do uso de dados e tecnologia no dia a dia da área.

Ferramentas de compras, relatórios e automações ajudam a organizar informações ambientais, acompanhar indicadores e ter mais visibilidade sobre os impactos ao longo da cadeia.

Com esses dados organizados, compras deixa de agir apenas quando surge um problema e passa a antecipar riscos, identificar melhorias e buscar alternativas mais sustentáveis.

A transformação digital dá escala, padroniza processos e permite acompanhar decisões, tornando a agenda ambiental parte da rotina de compras.

 

Como o comprador pode atuar sobre os principais impactos ambientais

A contribuição da área de compras para o “E” do ESG aparece nas decisões do dia a dia.

Ao definir bem os critérios, usar dados e orientar fornecedores, o comprador passa a influenciar diretamente os principais impactos ambientais da cadeia.

 

1. Redução de gases de efeito estufa

Compras impacta as emissões da empresa ao escolher fornecedores, definir rotas logísticas e estruturar contratos com fornecedores diversos.

No dia a dia, o comprador pode priorizar fornecedores que monitoram suas emissões, escolher opções logísticas de menor impacto e usar dados para orientar negociações e decisões.

 

2. Uso responsável de recursos naturais

Cada decisão de compra impacta, mesmo que de forma indireta, o consumo de matérias-primas, água e energia.

O comprador pode comparar fornecedores pela eficiência no uso desses recursos, incentivar materiais de menor impacto e trabalhar junto às áreas técnicas para reduzir desperdícios.

 

3. Gestão de resíduos e economia circular

A forma como fornecedores e contratos são definidos influencia diretamente a geração de resíduos e embalagens.

Compras pode estimular práticas responsáveis, como logística reversa, redução de embalagens e priorização de fornecedores que adotam reutilização de materiais e reciclagem.

 

4. Prevenção de riscos ambientais na cadeia de suprimentos

Problemas ambientais de fornecedores podem gerar impactos financeiros e de reputação da empresa.

O comprador pode incluir critérios ambientais na homologação, acompanhar indicadores de fornecedores críticos e exigir conformidade com normas e certificações quando necessário.

 

5. Uso de dados e tecnologia para decisões ambientais

Dados disponíveis e organizados ajudam a transformar a agenda ambiental em metas e ações para as empresas.

Compras pode acompanhar indicadores ambientais por fornecedor, monitorar metas, dar mais visibilidade às decisões e apoiar relatórios corporativos com informações confiáveis.

 

Compras fortalecendo a estratégia ambiental do negócio

Quando critérios ambientais passam a fazer parte dos processos, compras ganha mais peso estratégico dentro da empresa.

Decisões baseadas em dados ambientais dão mais segurança, reduzem riscos de imagem e ajudam a cumprir as metas de ESG.

Mais do que atender exigências, compras contribui para a competitividade do negócio, facilita o acesso a novos mercados e fortalece a cadeia de suprimentos.

 

O “E” do ESG começa nas decisões do dia a dia

O avanço das metas ambientais está diretamente ligado às decisões diárias, sejam questões simples ou mais complexas.

Nesse contexto, a área de compras tem um papel decisivo para transformar orientações ambientais em ações concretas.

Com dados, processos organizados e tecnologia, compras atua de forma mais estratégica, reduz impactos ambientais e contribui para cadeias de suprimentos mais sustentáveis.

Esse movimento começa antes do trabalho. Sustentabilidade é uma escolha pessoal, ligada às decisões que cada profissional toma no dia a dia e à forma como entende seu impacto sobre recursos e meio ambiente.

Quando o comprador passa a ter essa consciência, sua atuação deixa de ser apenas operacional e passa a considerar efeitos de longo prazo para a cadeia, para o negócio e para o meio ambiente.

É essa postura que sustenta uma atuação mais responsável, estratégica e alinhada às metas ambientais da empresa.

 

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