
A sustentabilidade deixou de ser um tema secundário para se tornar uma frente estratégica nas empresas.
A pressão não vem apenas das metas climáticas, mas também de clientes, parceiros, investidores e exigências cada vez maiores de governança.
Nesse contexto, a mensuração de emissões de carbono ganha relevância, especialmente quando as empresas percebem que boa parte do seu impacto ambiental está fora da operação direta.
Em muitas organizações, a maior parcela da pegada está concentrada na cadeia de suprimentos, no chamado Escopo 3, que reúne as emissões indiretas associadas à cadeia de valor.
Diferentemente das emissões diretas ou do consumo de energia elétrica da própria companhia, essas informações estão distribuídas entre fornecedores, operadores logísticos e diferentes parceiros do ecossistema, o que aumenta a complexidade da gestão.
Por isso, a redução de emissões não pode ser tratada como uma responsabilidade isolada dos fornecedores.
Esse movimento exige uma atuação coordenada entre empresa contratante e base fornecedora, com critérios e metas claras, além de uma estrutura de acompanhamento que traga visibilidade ao longo da cadeia.
Nesse cenário, procurement assume uma posição estratégica ao liderar a gestão de emissões de forma estruturada, definindo quais informações devem ser reportadas, quais indicadores acompanhar e quais compromissos integrar aos processos de homologação, contratação e avaliação de performance.
Mais do que atender a requisitos de conformidade, essa atuação contribui para reduzir riscos, fortalecer a reputação da empresa e aumentar a capacidade de resposta diante das novas exigências do mercado.
Como começar a mensurar emissões na cadeia de fornecedores
O primeiro passo é identificar onde estão as categorias mais relevantes da operação. Nem toda empresa precisa começar medindo tudo ao mesmo tempo.
O caminho mais eficiente é priorizar os pontos com maior potencial de impacto, seja pelo volume de compras, pela criticidade da categoria ou pela intensidade de carbono associada ao fornecimento.
A partir disso, é possível estruturar um processo de monitoramento de carbono no supply chain com base em dados progressivamente mais robustos.
Em um primeiro momento, muitas empresas começam com questionários, autodeclarações e informações fornecidas pelos próprios parceiros.
Com o amadurecimento da operação, o ideal é evoluir para bases mais específicas, comparáveis e auditáveis.
Esse trabalho exige proximidade com os fornecedores. Empresas com cadeias mais maduras já operam com relatórios periódicos, critérios de prestação de contas e metas compartilhadas.
Já em cadeias com fornecedores menores ou menos estruturadas, o avanço pode ocorrer por etapas, com apoio técnico, orientação e uso de tecnologia para consolidar e analisar as informações.
Quais critérios priorizar na avaliação de fornecedores
Definir critérios claros para avaliação de fornecedores é essencial para garantir que a sustentabilidade seja incorporada de forma consistente às decisões de compras.
| Metas de redução de emissões
Avaliar se o fornecedor possui objetivos claros e mensuráveis para reduzir sua pegada de carbono ao longo do tempo.
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Uso de energia renovável
Verificar se a operação utiliza fontes limpas de energia ou possui iniciativas para transição da matriz energética.
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Eficiência operacional e redução de desperdícios
Analisar se existem processos estruturados para otimizar recursos e minimizar perdas ao longo da operação.
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| Transparência e reporte de dados
Considerar o nível de clareza, frequência e confiabilidade das informações compartilhadas sobre emissões e práticas ambientais.
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Localização e impacto logístico
Avaliar a proximidade do fornecedor e os impactos relacionados a transporte, que influenciam diretamente a pegada de carbono.
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Integração com critérios ESG
Verificar se o fornecedor está alinhado às diretrizes socioambientais exigidas e se isso se reflete na execução operacional. |
Quais indicadores acompanhar na gestão de emissões
Com governança, critérios bem definidos, tecnologia e colaboração com a base fornecedora, a área de compras estrutura e direciona a gestão climática na cadeia de fornecedores.
| Consumo de energia
Medir o volume total consumido ao longo da operação para identificar oportunidades de eficiência. |
Matriz energética
Avaliar a origem da energia utilizada, com foco na participação de fontes renováveis. |
Modais de transporte
Analisar os tipos de transporte utilizados e seus respectivos impactos em emissões. |
| Distâncias logísticas
Monitorar o percurso entre fornecedores e operação, considerando seu impacto direto na pegada de carbono. |
Geração de resíduos
Acompanhar o volume gerado e as práticas de descarte ou reaproveitamento. |
Intensidade de emissões
Medir emissões em relação ao volume comprado, categoria ou fornecedor, permitindo comparações mais precisas. |
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Até a próxima! 😉



