
Até 2028, o Gartner projeta que 40% das equipes de compras terão implementado pelo menos um agente de inteligência artificial no seu ecossistema de aquisição.
O desafio, no entanto, para a maioria das empresas, é saber como incorporar IA sem comprometer os investimentos já feitos ou precisar substituir o ERP.
É aí que a orquestração de compras ganha relevância. Em vez de reconstruir toda a infraestrutura, uma camada de orquestração conecta sistemas, coordena processos e incorpora automação e IA à operação existente.
1. O que é uma camada de orquestração de compras?
É a capacidade de conectar e coordenar sistemas, processos, pessoas e decisões ao longo de todo o ciclo. Na prática, funciona como um ponto de conexão entre as ferramentas da empresa, organizando fluxos de trabalho e direcionando cada atividade para o sistema ou responsável adequado.
Assim, uma solicitação de compra pode ser iniciada em um único ambiente e seguir pelas etapas de aprovação, cotação, negociação, contratação e acompanhamento, mesmo quando dependem de plataformas diferentes, como em um fluxo de Procure-to-Pay conectado da requisição ao pagamento.
O benefício principal é transformar sistemas fragmentados em uma operação conectada, reduzindo tarefas manuais, ampliando a visibilidade e fortalecendo a conformidade — sem exigir que tudo aconteça em uma só plataforma.
2. Como a orquestração se integra ao ERP e aos sistemas existentes?
O ERP segue central, reunindo processos financeiros, contábeis, fiscais e operacionais. Mas a jornada de compras costuma envolver outras soluções, como plataformas de Source-to-Pay, gestão de contratos, sourcing e análise de dados.
E o Source-to-Pay não precisa estar atrelado a um único sistema: por meio de integrações, a tecnologia se conecta a diferentes ERPs, ampliando a flexibilidade da arquitetura e preservando os investimentos já realizados.
A camada de orquestração atua sobre esse ecossistema. Por meio de APIs, compartilha informações, aciona fluxos e automatiza tarefas sem substituir os sistemas atuais.
Também facilita a adoção de novas tecnologias: agentes de IA podem apoiar cotações, classificação de demandas, análise de informações, direcionamento de solicitações e identificação de exceções, dentro das regras definidas pela empresa.
Dependendo da arquitetura, é possível conectar diferentes provedores de IA atuando no mesmo processo e ampliar os casos de uso conforme a estratégia evolui.
3. Como implementar uma camada de orquestração na gestão de compras?
A adoção começa antes da escolha da tecnologia. O primeiro passo é mapear os fluxos de compras, identificando atividades manuais, etapas de aprovação, retrabalho e dificuldades de integração.
Em seguida, avalie a qualidade e a disponibilidade dos dados: informações inconsistentes ou duplicadas comprometem tanto a automação quanto o uso de IA
A governança também entra aqui: alçadas de aprovação, responsabilidades, critérios de contratação e regras para exceções garantem que os processos automatizados sigam as políticas da empresa.
Com essa base, priorize integrações e casos de uso. Uma estratégia eficaz é começar por processos de alto volume e baixa complexidade, acompanhar indicadores como tempo de ciclo e redução de tarefas manuais e ampliar gradualmente.
Na escolha da plataforma, avalie a compatibilidade com o ERP e demais sistemas, os recursos de integração, a flexibilidade para incorporar IA e os mecanismos de governança e rastreabilidade.
Evoluir a tecnologia sem reconstruir toda a operação
Com uma camada de orquestração, dá para conectar sistemas, integrar informações e incorporar automação e IA de forma gradual, mantendo os sistemas essenciais e direcionando investimentos para onde há maior geração de valor.
A transformação digital não depende de substituir toda a infraestrutura, mas de fazer sistemas, dados e processos trabalharem de forma mais integrada e inteligente.
Esse é o caminho que sustenta um procurement cada vez mais conectado entre compradores e fornecedores.”
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Até a próxima! 😉



